Capítulo 17 - O Tsunami

                       

Notícias ou ameaças de tsunami são quase sempre dadas onde existe um paraíso. Geralmente são praias, ilhas ou lugares de natureza exuberante, onde todos querem estar ou um dia conhecer para um tempo de sossego e descanso. O paraíso também pode nos levar para realidades diferentes da que vivemos, com  novas paisagens ou novas experiências. Mas o paraíso também é um sonho que imaginamos, cheio de expectativas que criamos com base no que a sociedade, a família, a mídia e nós mesmos fantasiamos.
 
O seu paraíso pode ser ter muito dinheiro e nunca mais ter que pensar na falta dele. Ou encontrar um grande amor, ter um filho e a sua própria família. Ou ter sucesso profissional crescente em uma carreira que você ama. E na busca pelo seu paraíso, você se alimenta de exemplos, de espelhos, de pessoas que parecem ter o que você busca em suas vidas e que você gostaria de viver como sendo a sua.
 
Aí entra o tsunami. Ninguém viaja para um paraíso esperando por ondas que podem transformar tudo em caos. Ninguém pensa que o dinheiro pode trazer impostos em excesso, dívidas, aproveitadores, interesseiros, traidores. Nem que uma família perfeita pode inibir aventuras de amor ou que projetos de um casal podem se transformar em sonhos egoístas e individuais. E que carreiras de sucesso podem provocar relações pessoais frágeis, famílias desestruturadas e vidas solitárias. Descobrimos que a perfeição não existe, mas a certeza do caos, sempre é uma ameaça.
 
Quando o tsunami passa pelo nosso paraíso, ficamos submersos e como uma pedrinha dando mil cambalhotas, vemos tudo o que imaginamos, nossas expectativas, nossos sonhos do passado, o que conquistamos, o que um dia quisemos conquistar, se misturando e revirando com as boas lembranças, as experiências ruins, o que um dia vivemos e o que teremos eternamente, até a hora em que conseguimos tomar um novo fôlego para esperar o mar se acalmar. Aí saímos do caos e vemos tudo fora do lugar. Podemos nos desesperar, fraquejar e desistir de lutar. Ou entao escolher enxergar em Deus, uma nova ordem para as coisas encontrarem de novo o seu lugar. Talvez não o lugar que planejamos, como uma boa reforma, mas aquele lugar que sobrou. Até que a nossa fé nos ajude a reconstruir tudo de um jeito diferente e ainda melhor do que poderíamos imaginar.

Capítulo 16 - Cicatrizes

                                 

Quando vejo uma cicatriz, seja em mim ou nos meus filhos, sempre me lembro do momento em que ela apareceu. Onde eu estava, o que aconteceu, o que eu fiz, se eu chorei, o quanto doeu, e o quanto foi difícil segurar o choro e a dor. Lembro que possivelmente foi ainda mais doído quando tentei lavar o sangue, limpar qualquer sujeira que iria infeccioná-la, o remédio que tive que colocar para ajudar a curá-la, o quanto ardeu, e talvez a dúvida em deixar o machucado latejando, ou colocar algo que aumentaria a dor, mas ajudaria a curar mais rápido.

Depois, me lembro da ansiedade em saber se iria cicatrizar logo, e se depois de curada haveria uma marca para lembrar para sempre daquele momento. Será que vai virar uma quelóide? Que vai ficar escura? Será que as pessoas vão ver? Será que vão imaginar algo pior do que foi? Será que iam me achar mais feia ou entao descuidada? Ou pior: será que vão me ferir de novo ali e abrir de novo a minha cicatriz?

Assim como as cicatrizes, as feridas da nossa alma e as marcas do nosso subconsciente falam conosco diariamente. Será quepodemos usar métodos psiquiátricos para imunizar um pensamento ou possibilidades espirituais para abafar um trauma? Com qual borracha podemos apagar uma dor que virou ferida, que da ferida se transformou em cicatriz e da cicatriz surgiu uma marca? 

Minhas cicatrizes são memórias usadas por mim todos os dias. Como um relógio despertador, me lembram, no momento certo, que eu já passei por dores, por momentos que pareciam intermináveis, por uma ferida exposta, aberta, infeccionada, e mesmo quando esbarram e a abrem de novo, mais uma vez elas fecham, cicatrizam, e passam!
 
Assim como feridas na pele podem cicatrizar, mas deixar marcas, dores nos relacionamentos podem ser perdoados e cicatrizados, mas podem nunca ser apagados. Se encararmos com uma memória daquilo que nos traz esperança, saberemos que é possível enfrentar a dor, curá-la, e que poderemos enfrentá-la de novo muitas outras vezes. A força vem da promessa de que o que passamos nunca é maior daquilo que podemos suportar. Afinal, todos já vimos um corpo passar por grandes dores e continuar caminhando; um coração enfrentar paradas cardíacas e voltar a bater com coragem; pessoas “morrerem” em hospitais e voltarem depois de horas. Isso é o ser humano, é o poder de ressurreição, de renovo, de reconquista, passando por cima de toda e qualquer circunstância para provar que, apesar dos sinais de cortes abertos que expressam toda lembrança, podemos ter a certeza de que há sim, esperança!

Catador de Latas

                             

Querido leitor, esse é um texto que meu cunhado querido, Rodrigo, fez especialmente para nós! Espero que gostem!

São Paulo, Avenida Ibirapuera, 9 de dezembro de 2011. Dentro do carro verifico as portas trancadas e vidro fechados, olho para a calçada e vejo um homem sujo, mal vestido, camisa rasgada, pé no chão, mexendo em um lixo com um saco cheio de latas. Em uma busca diária para encontrar aquilo que o faça sobreviver, ele se mistura à imundície para viver.

Na busca daquilo que queremos, desejamos, sonhamos ou mesmo por necessidade, fazemos coisas que não gostaríamos, aquilo que um diajulgamos errado, mas no final colocamos nossas mãos em lixos. A imundície traz um odor que de longe podemos sentir. Pode ser tudo aquilo com o que nos misturamos, relacionamos, mesmo sabendo que não deveríamos, e conseguimos esconder por trás de aparências por um tempo. Mas não para sempre. O acertar ou errar não é imundo. É apenas uma experiência. A  sujeira acontece quando uma atitude errada se encontra com consciência.

Ao se lavar, o catador de latas pode se livrar da sujeira. O corpo físico é lavado com água, sabão e uns esfregões. Nossa consciência e lembranças não são tão simples assim. O processo de limpeza é mais complexo e muitas vezes dolorido, pois o remorso machuca, e os esfregões deixam marcas.

Vendo apenas o exterior, meus olhos enxergaram a sujeira do catador. Mas imagine se pudéssemos ver a parte suja da alma? Sei que não haveriam água e o sabão suficientes para apagar aquilo que um dia, alguém pagou um alto preço para que pudéssemos, através do Seu grande amor, ganhar de graça.


Rodrigo Leite

Capítulo 15 - Equilíbrio

                        

Se a vida é equilíbrio, nosso grande desafio é manter o foco. O equilibrista não pode olhar para baixo para não se amendrontar com o medo de cair, e não pode olhar para cima para que a prepotência não o faça vacilar e desistir. O foco é o que perseguimos em cima da corda bamba.

O nosso olhar, como bons equilibristas, deveria estar voltado exclusivamente ao foco que temos em nossas vidas, para conseguirmos caminhar mesmo sem às vezes conseguir nos equilibrar.

Há também a possibilidade de nos transformarmos na própria corda bamba, fazendo com que outras pessoas tentem andar em cima de nossos próprios erros, fracassos, deformações e frustrações da vida.

Ou então podemos ser o peso no corpo do equilibrista, quando tentamos obedecer e ser dirigidos por opiniões alheias, indo para o caminho que nos indicam, que nos mandam, que nos aconselham.

Mas creio que na maioria das vezes somos o próprio artista, que tenta a cada apresentação cumprir sua meta, concentrar-se no foco e concluir seu objetivo na medida do equilíbrio.

O que seria essa medida? A tentativa de encontrar a dimensão certa, ou a justa, entre o certo e o errado. O limite colocado em situações, atitudes, sentimentos, para vivermos da maneira mais próxima à perfeição. A tênue linha entre o bem e o mal.

A corda pode romper-se ao meio, o caminho pode machucar nossos pés e a altura pode aumentar o risco da queda. Mas o que demoramos a entender é que o medo que muitas vezes balança a nossa vida não se vence apenas com concentração e sim com o coração.

O amor de Deus é equilíbrio. Tudo que Ele faz não é demais nem de menos, e sim na medida certa. Não há dor, problema, desafio ou foco que não possa ser vencido. Porque Deus estará sempre nos ensinando a medida do equilíbrio e falando aos nossos corações, ainda que muitas vezes não consigamos compreender como Ele calcula as proporções.

Capítulo 14 - Estações

                                   

Mais um tempo passou e agora é hora de compartilhar e transformar em palavras alguns dos pensamentos e ideias que estão dentro de mim.

Vejo que a vida tem sido constantemente uma linha em curvas,  onde sabemos que seguimos em frente, mas por caminhos que não controlamos. E dependendo de onde paramos para enxergar a rota que devemos seguir, a dimensão e o foco das coisas podem mudar de uma hora para outra.

É como se também mudássemos de estação. O tempo passa e a mesma paisagem pode estar mais fria, mais quente, mais florida, ou perdendo aos poucos as suas folhas. Isso acontece porque mudamos os planos, aceitamos novas ideias, rejeitamos velhos ideais, nos adaptamos a novos acontecimentos e mudamos mais um pouco.

Alguns ciclos precisam terminar para criarmos espaço para algo novo começar. Mas nada se interrompe, tudo continua, e sempre de um jeito cada vez mais novo. É como uma aliança, compromisso de seguir sem pausas, mesmo com todas as mudanças que nos obrigam a mudar nossas paisagens.

É difícil definir como podemos chamar essas nossas “estações”. Um novo tempo? Um novo ciclo? Eu creio que é um novo jeito de continuar. O infinito não significa que se deve ser o mesmo o tempo todo. Significa que temos que passar por todas as mudanças e transformações e continuar perseguindo a nossa trajetória com o mesmo desejo genuíno de simplesmente seguir em frente com as nossas escolhas.

As estações nos dão passagem para amar, esperar, acreditar, adaptar, aproximar, perdoar. São tempos passados com novas rotinas, novos diálogos, novos sentimentos. Às vezes mais fortes, mais sinceros, menos egoístas, menos falsos, mais profundos, mais maduros, melhor compreendidos e mais legítimos.

Minha estação passou para uma nova começar. Talvez agora mais colorida, com novos objetivos, novos auges, novas ideias. As dúvidas já se espalharam pelo chão e a verdade vem desabrochando aos poucos. O calor do carinho se aproxima, a frieza de alguns limites vão derretendo, e a vontade de estar mais perto vem chegando para iluminar um novo tempo que em qualquer estação, me liga cada vez mais ao caráter do meu Único, meu Criador, onde repousa o meu coração.

Pra quem ainda não viu, este é o teaser do DVD. Em breve novidades, aguardem!

Beleza do Coração

                       

Toda mulher bem arrumada, bem maquiada e bem produzida é linda. Mas a verdadeira beleza que a mulher tem e que vai além de qualquer produção é aquela que não se parece com as capas de revista. 

Esta beleza está naquela mulher que acorda com os olhos inchados não por um sono perfeito, mas por ter chorado contidamente as preocupações durante a noite. É aquela que disfarça as olheiras provocadas pela exaustão para enfrentar mais um dia de dupla ou tripla jornada. É aquela que tenta se livrar de dores nas pernas causadas por obrigações que muitas vezes nem o corpo consegue suportar. É aquela que esconde a tristeza para se mostrar forte mesmo quando vê alguém que ama chorar.                        

Essa mulher muitas vezes sai correndo para o trabalho e se sente culpada porque não conseguiu estar o tempo que gostaria com seus filhos. E, quando chega, tem dores de cabeça porque sua mente está consumida por pensamentos que não se acalmam.

A mulher é linda porque é ajudadora. Ajuda sua família, ajuda suas amigas e ajuda ainda muitas vezes aos seus inimigos. E por mais que as mulheres avancem e conquistem novos espaços, sempre serão lindas por, cada uma do seu jeito, tentarem deixar o mundo mais bonito.  

Que as mulheres sejam louvadas hoje! Feliz dia das mulheres!

Capítulo 13 - Metamorfose

                               

Não é só o fim de um ano, mas também é o início de outro. E nesse caso, não só um novo ano começa, mas uma nova década. E muitos ainda continuam discutindo se Cristo realmente veio a Terra. Se realmente ressuscitou. Se realmente se chama Jesus. Se é mesmo o filho de Deus. E se foi em Dezembro o seu nascimento. 

Eu prefiro não discutir. Prefiro aproveitar os milhares de motivos que temos o ano inteiro para sermos felizes, unidos e amorosos para comemorar nessa época tão especial e contagiante. Uma razão para unir a família. Um motivo para presentear. Uma nova razão para perdoar. Tempo para refletir e renovar. E muitos outros motivos para amar. 

Temos anos bons, anos muito bons, anos não tão bons. Mas em todos os momentos podemos apreciar as lutas como crescimento, as dores como amadurecimento, as angústias como um novo aprendizado. Podemos ver o cuidado e o carinho de Deus, que mesmo nos momentos mais críticos e mais infelizes se coloca ao nosso lado para nos dar a Sua mão, para nos ajudar a levantar e continuar caminhando.  Ou a exemplo do pai que educa olhando e esperando o momento em que nosso potencial vai vir à tona para nos levar além do que imaginamos ou de que a nossa própria força alcançaria.

Realizações e decepções andam lado a lado junto com pessoas novas e amizades antigas. Este ano para mim foi um exemplo disso. Afinal, precisamos andar pra frente para conseguir ver quem vai continuar caminhando ao nosso lado. O ano de 2010 foi acelerado, desafiador e repleto em todos os sentidos. Uma divisão entre o antigo e o novo onde os momentos de silêncio foram os momentos mais vividos.

A divisão entre o ano velho e o ano novo, a década velha e a nova década me trazem uma expectativa envolvida em certeza de que 2011 será surpreendente para todos nós. Um ano de paz e novas conquistas. De novos objetivos e novos projetos. Um tempo de descanso do nosso coração no esconderijo do Senhor. Um tempo de ouvir a Deus a cada minuto do nosso dia, de encontrá-lo em cada centímetro que nosso olhar alcança.

Para terminar este último capítulo do ano gostaria que refletissem comigo sobre uma pequena lagarta, que vive tanto tempo sendo aquela criatura que sabe se virar, sabe fugir daquilo que não a fará bem como os excessos do sol e do calor, e também sabe encontrar o que precisa: plantas e o alimento certo para todas as fases da sua vida. 

Como nós, a lagarta nunca pode deixar de comer, tem que estar sempre forte e sempre alimentada. De um momento para o outro acontece a ecdise:  ela solta sua pele, e nesse momento tem que estar quieta, não pode ser tocada, precisa do seu momento de paz. É sinal de que está crescendo. De uma hora para a outra ela pára de comer e pára de se mexer. É hora de parar tudo. Parece até que ela está se enterrando ou criando sua própria morte. Quem olha acha que ela está morta, dentro da sua imóvel pupa.

Mas no seu interior está ocorrendo a maior atividade da sua vida. Ela está se transformando! A estrutura da “lagarta” é quimicamente destruída, e a borboleta está enfim construída. É a beleza da metamorfose! Mas ela ainda não pode voar. Suas asas nunca experimentaram esse movimento. Depois de horas de espera, finalmente os hormônios são liberados, e agora ninguém mais pode segurar a linda borboleta que nasceu! 

Desejo que neste novo ano você viva algo novo na sua vida. Que saiba apreciar o silêncio, que aqueça o seu coração e que prepare o seu espírito para voar com as asas da liberdade dadas pelo amor de Cristo. Afinal, se Deus criou a nós e à pequena lagarta, quem disse que Ele também não pode nos dar nossas asas?

Capítulo 12 - A massa

                           

Tenho escutado muito nos últimos dias uma palavra que sempre me chama muito a atenção: confusão. E percebido que muita gente se queixa de confusão na mente, nas ideias, nos princípios, nas verdades, e dizem: “estou confuso”.

Quando você sente confuso com uma ideia, com um momento, com um pensamento, o que você faz? Pede socorro para alguém esperando ter a certeza de que a resposta que ela te der é a que te fará voltar a respirar tranqüilo? Ou então você pára para pensar, pesquisa, lê, se interessa por aquilo que parece um tormento mas é somente uma ideia que nunca antes havia chegado até você.

Hoje em dia, as pessoas estão pouco preocupadas com ideias novas. Talvez seja o excesso de informações ou a falta de tempo para pensar. E o que vemos são ideias antigas, ideias plantadas por pessoas em que se confia, ideias que um dia deram certo, verdades sem nem 1% de mentira. Verdades em que acredita por absoluta falta de vontade de descobrir algo novo. 

A maioria dessas pessoas realmente acreditam no que estão falando, assim como deve ser conosco quando cremos sem pensar naquilo que falamos, naquilo que vivemos, naquilo que experimentamos. Isso forma uma opinião, mesmo que seja uma verdade mascarada por uma ilusão. E nada é feito por maldade, mas pelo simples fato de ter funcionado para alguém, então porque não funcionaria para mim também? E assim acabamos criando uma verdade intocável, imutável.

Isso é muito poderoso. Quando outra pessoa expressa seus ideais, seus princípios, como fruto de uma opinião pessoal, fruto de uma experiência pessoal, ela acaba influenciando outras pessoas. Temos que parar para pensar sobre isso e refletir sobre o que somos, o que queremos e no que acreditamos antes de adotar a opinião dos outros como sendo a nossa. 

Deus é um só, nós todos somos únicos (temos essa marca na ponta dos nossos dedos), mas a forma que Deus fala, toca, convence, explica, para cada um é muito diferente. O medo de muitos de formar sua própria opinião, ou a dificuldade que se tem para formá-la, os impede que a ideia avance. Acaba sendo muito mais fácil então caminhar com uma massa, andar de acordo com o que é imposto por homens, ou muitas vezes ir de acordo com um opinião, que nem mesmo é a nossa, simplesmente porque fomos proibidos ou pouco motivados a pensar de forma contrária ou um pouco diferente. E preferimos nos silenciar e concordar.

Nunca mate nenhuma ideia que você sentir que está nascendo dentro do seu ser. Lembre-se que o seu coração é o único lugar que nenhum homem conhece e que só Deus pode falar com você.

Capítulo 11 - De Graça

                     

Não importa a classe social, de onde viemos, a idade, ou o que desejamos. Quando falamos na possibilidade de ganhar algo de graça sempre nos interessamos. Porque é algo que se ganha, por mérito ou por vontade de quem te dá. É como um presente, que as vezes não conseguimos nem mesmo agradecer o prazer que tivemos em receber.
 
Houve um tempo em que Deus optou pela LEI para reger a relação com a humanidade para que todas as pessoas fossem abençoadas. Eram uma série de regras que, se respeitadas, se transformariam em bênçãos. Mas logo depois Ele inaugurou o tempo da GRAÇA, onde todos poderiam chegar até Deus através de um único caminho, sem o agir dos homens, sem leis, sem rituais, sem barreiras, com Cristo.
 
Eu acho que o significado deste novo tempo se resumiria em uma única palavra: AMOR.  Porque quando entendemos que Deus nos amou de uma maneira tão grande que enviou o seu único filho para acabar com um tempo de peso, de leis, de rituais muitas vezes difíceis de interpretar pela única vontade de nos salvar, isso só pode ser chamado de AMOR. Quando entendemos que Jesus foi mandado para viver, se alegrar e sofrer como homem, e se entregou para morrer, para que através do sangue dele (e não mais o sacrifício de animais) fôssemos limpos de nossos pecados, temos que ao menos agradecer a Deus por nos dar de graça esse novo jeito de viver.
 
É libertador fazer nossas escolhas não mais por obrigação, mas sim por entendermos cada vez mais e amarmos a verdade que Jesus nos deixou. E não escolhermos os caminhos que muitas vezes nos induziram a seguir, ou fazer algo porque falaram que era melhor ser feito de um jeito ou de outro, mas sim porque fomos batizados não apenas com água, mas com algo mais poderoso que nos lava. 
 
A LEI terminou e a senha para transformar o nosso coração é o AMOR. Quando entendemos isso, passamos a desejar amar mais para errar menos. É aí que de repente sentimos que a maior coisa que podemos querer ter não é o dinheiro, não é a riqueza, não são os bens, não é um padrão de beleza, não são amizades interesseiras, e sim o nosso coração livre para conhecer e viver mais e mais esse AMOR que vem de Deus.